Frívola
Como podes?
Veste-te tão bem,
mas perfume não tens.
Que mulher és tu,
que me enches os olhos
e te fazes poesia?
Não deveria ser assim,
de tão bela,
de tão ornada...
Chegas,
e a tarde se demora.
Tuas pétalas —
pequenos suspiros
vestidos de cor.
E eu, que buscava
um perfume no ar,
encontro-te nos olhos.
Que estranho encanto
é esse, Frívola?
Quase nada exalas,
e, contudo,
quanto em mim floresces.
Talvez seja isto
o amor:
não sentir o perfume da flor,
mas permanecer
onde ela pousou
dentro do olhar.
Zabah
Enviado por Zabah em 10/09/2026
Alterado em 10/09/2026
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